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[icon] oh, i was moved by your screen dream
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Time:06:01 pm
um por um, eles saem. eu fico aqui de longe, só esperando um deles voltar. só um deles. O UM deles. ele nunca vai saber que é o um. ele nunca vai saber que eu estava esperando ele vir. ele nunca vai saber que eu sonhei que gritava o nome dele a noite passada. ele nunca vai saber que eu estava mergulhada nas suas cores, formas, sons, batidas, palavras. ele nunca vai saber que ele foi a pessoa que mais combinou com a minha tatuagem até hoje. que combinou com o meu umbigo e com o meu fusca e com a minha pele e com os meus olhos também. ele nunca vai saber que eu daria tudo pra deslizar os dedos no cabelo dele agora. ele nunca vai saber que o jeito que eu respirava do lado dele era muito mais leve do que eu costumo respirar. ele nunca vai saber onde as palavras que ele me diz estão guardadas. ele nunca vai saber o que eu sinto mesmo que ele leia esse texto mil vezes, ele nunca vai saber.
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Time:11:40 am
Current Mood:[mood icon] annoyed
alergia, de novo. dessa vez até na pele. alergia é feio. é o mundo de dentro brigando com o mundo de fora. eu não quero meditações, nem auto-ajuda, nem nehum tipo de ajuda. simplesmente porque eu não acredito que é preciso tanta ajuda assim para se viver. quem realmente precisa de ajuda? onde está faltando o que? o que tem de tão errado? o que está acontecendo?
me parece que todas essas coisas de livros e remédios e terapias são academias para as almas. corpos moldados iguais, almas moldadas iguais. e assim as pessoas se distanciam cada vez mais de si mesmas. e assim o vazio aumenta, a dose aumenta, a série de exercícios aumenta, o vício aumenta. o vício pelo vaizo. uma saudade de não se sabe bem o que. é a saudade de si mesmo, essa pessoa estranha que fica cada vez mais longe. é esse umbiguismo não-declarado, é um não saber dar conta de si. é sempre olhar pra fora, quando se devia olhar para todos os lados ao mesmo tempo. não só pra fora, nem só para dentro. coloque suas vísceras na rua, eu quero ver.
saravá, amém, namastê, mojubá, salve, so be it. all you need is love.
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Subject:um texto de 2002, atualizado em julho de 2006 quando fui banida de uma parte de uma família.
Time:12:46 am
Current Mood:[mood icon] enraged
[Matadores]

Apedrejam-me, jogam-me enormes lascas de silêncio, bombardeiam-me com olhares estranhos, planejam a minha liquidação geral do círculo da vida comum e superficial. Me queimarão na fogueira da humanidade deles e tudo isso dá vontade de rir, rir muito, gargalhar! Oh que castigo, que falta me fará dizer bom-dia a estas pessoas! Que parentes e amigos hipócritas. Fiquem com suas vidas chatas e me apaguem.

Deixei de ser tolerada pelo grupinho dos que só usam máscaras e cercam-me com verdades e dedos e armas e olhos apontados para a minha cabeça. Querem me exterminar do mundo mas não me arrependo. Não sinto culpa ou medo. Se querem me destruir não vou nem pedir para colocarem vendas nos meus olhos, quero ver tudo como num filme, mas desta vez é o meu filme, minha história. O que torna tudo mais emocionante.

Quero ver cada detalhe das balas e das palavras afiadas entrando na minha pele, quero sentir a morte da vidinha antiga e pacata em cada segundo, assim como quero sentir a vida nova ferver o meu sangue. E eu rio deles, tenho pena deles. Vejo suas mãos tapando as bocas, vejo os olhos arregalados, ouço o sibilar das fofocas e dos cochichos chocados. Não sinto nada. Que eles exterminem o que os incomoda e voltem às suas casas sangrentas. Estou me divertindo com a idéia de que isso é como ser condenada em praça pública, imaginando descobrir quem tomará a atitude de vir atirar em mim. Como será o seu olhar? E me olhará nos olhos com coragem ou covardia, ou nem olhará? Mirará no meu coração ou no meu ventre ou nos meus miolos?

Ler o olhar, o lugar do meu corpo que os matadores resolveram estourar me dirá muito sobre o caráter das pessoas. E espero que o inimigo seja nobre, pois quero que tudo seja um espetáculo sensorial, memorável. Como na inquisição, numa caça medieval às bruxas. Pois uma morte digna é um ritual mágico e divino. Afinal estarei enfim livre deste mundo limitado e interminável ao mesmo tempo. Mundo que fica se esticando e retraindo e pulsando, o que o torna insuportável como os batimentos cardíacos que condenam toda a humanidade dentro de mim. Estarei livre do limbo e este pensamento me deixa tão animada como uma criança no natal.
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Subject:texto #1 do diário velho
Time:12:17 am
Current Mood:[mood icon] contemplative
estou acostumada a me apaixonar por garotos de vento: eles sempre passam de leve por mim, sopram fininho no meu ouvido. pescoço. umbigo. e daí roubam um pedaço meu de alma. e eu sempre deixo eles levarem, mesmo. sei que é imprudente e arriscado, mas nem ligo. pra que ficar economizando sentimento? pra que fincar os pés no chão? então nem me prendo a nada: me entrego logo.

se entregar a alguém é diferente de se largar e isso já aprendi a muito custo. afinal decolar é diferente de se jogar de um prédio e mergulhar no ar sem saber voar. então me deixo levar por estes garotos, mas sempre volto ao meu lugar, seja lá que lugar for este (ou talvez seja lugar nenhum). penso naqueles que quase me arrancaram de mim - e talvez nenhum tenha mesmo chegado a me tirar do lugar, senão acho que eu sentiria logo. talvez tenham sido todos brisas. ou talvez todos tenham sido tempestade, me levado um pouquinho, e eu nem percebi ainda. só sei que descobri assim que os meninos-vento vêm e vão, me sopram e me levam e eu vou dançando conforme a brisa. e agora mesmo eu estou voando igual às folhas das árvores... sei que vou cair e que vai doer –doer muito- mas não posso evitar experimentar um pouco desta leveza só por medo da queda.
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Subject:texto #2 do diário velho. e é isso mesmo que eu sinto hoje.
Time:12:13 am
Current Mood:[mood icon] nostalgic
resolvi aceitar tudo o que o meu corpo me diz, tudo o que meus dias e suas pessoas me dizem, aceitar as coisas que eu mais desejo no mundo, aceitar o que eu sinto e quero na minha vida. resolvi aceitar o desejo e a dor de desejar. e entendi que essa dor de desejar é o que mantém tudo funcionando: porque eu tenho que fazer algo para matar o desejo e sua dor. o negócio é que o desejo nunca morre... a dor passa, mas o desejo continua ali fincado no coração cérebro estômago e o sangue o espalha e ele corrói o corpo inteiro por dentro, como um combustível que vai queimando a vida e me movendo pra frente.
então pra que me fingir de cega?
pra que negar o que eu quero de coração?
pra que dizer não a isso, ao que eu sinto?
sim. sim. sim. sim. sim. sim. SIM.

e a ponte pra tudo isso foi um livro laranja que vi na prateleira e me fez desejar profundamente a vida.
então, que se foda tudo, que se foda o tempo o espaço que se foda o desafio e o mundo: que venha a dor e o futuro.
o desejo (e a vida o amor e tudo o que vem junto) é mais importante. é o que sempre sobrevive.
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Subject:Um sonho anotado.
Time:11:48 pm
Current Mood:[mood icon] refreshed
O diabo tinha um consultório onde dava conselhos e realizava sonhos. Entrei um pouco hesitante na sala de espera e a secretária, uma moça bem linda de cabelo comprido e escuro (parecida com a moça bonita que vi na festa e que tinha uma tatuagem legal), disse que eu não poderia mais voltar atrás quando entrasse. Eu disse que tudo bem e ela sorriu, bem simpática. Sentei num lugar e ao meu lado estavam uma mulher fumante de meia-idade vestindo roupas estranhas e um cara desempregado. A mulher tinha uma filhinha de uns cinco anos no colo e o homem segurava os classificados sobre os joelhos. Tentei adivinhar o desejo deles. Consegui adivinhar os mais superficiais, mas os profundos não.

Estava demorando e comecei a ficar com medo, queria ir embora, mas a sala já estava trancada. Tocava uma música horrível na sala de espera. O medo foi passando, e não dava nem pra suar porque tinha um ar condicionado forte. Havia uma cabeça de gárgula vermelha (de madeira, pintada com detalhes dourados, meio barroco e gótico juntos) grudada no meio da porta do consultório, parecia o diabo do desenho da vaca e o frango. A gárgula girou o pescoço, olhando a sala, e me chamou. Achei estranho. Me levantei e a gárgula tirou a cabeça de um buraco na porta e abriu a fechadura. Ficou de pé ao lado da porta aberta, sinalizando para eu entrar. Ela era o próprio diabo. Depois ele tirou a máscara de gárgula. E o diabo era simpático e inteligente, um típico doutor, de fala articulada e charmoso. Parecia o David Bowie vermelho. Não parecia tão maldito assim quanto dizem e daí eu não fiquei com medo.

Começou a me fazer perguntas, me pedia para recortar pedacinhos coloridos de papel e fazer colagens que contassem sobre o meu coração. A sala dele ia se transformando à medida em que eu ia pensando imagens, elas iam se materializando na sala. De repente o lugar estava cheio de obras de arte. Fiquei encantada com tudo, mas ainda tinha dúvidas sobre o que aconteceria. Ele me perguntou mais coisas, sobre a minha vida e sobre os meus sonhos. Pra descobrir os meus sonhos inatos ele respirava bem fundo e pedia bastante silêncio, que era pra ouvir as minhas batidas cardíacas. Ia ouvindo e traduzindo-as em desenhos e palavras, daí me fazia perguntas para confirmar se eu realmente queria realizá-los.

No fim da consulta ele disse que eu estaria usando o livre-arbítrio de uma forma decisiva. E que por isso antes de decidir eu precisava pensar bem, porque seriam transformações profundas e irreversíveis. Disse que eu não poderia culpá-lo se me arrependesse, pois a escolha seria toda minha, ele apenas a realizaria. Começou a tocar piano pra me dar tempo pra pensar e ajudar a relaxar, eram lindas músicas, ele cantava também, e a voz era de chorar de tão linda, grave tipo Leonard Cohen.
Decidi que não queria realizar os sonhos assim tão fácil porque senão eu não sentiria graça neles, que eu queria merecê-los de verdade. O diabo sorriu e disse que admirava a minha decisão e que por isso me daria um presente: daí eu ganhei algumas das obras de arte que havia imaginado. Ele falou que eu sabia ser livre e me desejou boa sorte para realizar os sonhos. Achei engraçado e irônico o diabo desejando boa sorte e sendo ético.
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Subject:texto #3 do diário velho - pergunta ainda sem resposta
Time:11:01 pm
Current Mood:[mood icon] confused
por que o caminho errado é sempre o mais fácil?
por que diabos eu não chuto tudo de vez e derrubo o destino?
por que eu não levanto vôo?

por causa dessas perguntas eu duvido muito que tenha algo à minha espera nesta vida.
simplesmente porque eu não procuro respondê-las de verdade.
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Time:10:52 pm
Current Mood:[mood icon] indifferent
ler um diário antigo é tão estranho. eu queria voltar a ter aquela sede, aquele fogo, aquela coragem. eu queria voltar a sentir PAIXÃO por tudo, queria voltar a não ter medo de quem for ler, de não ter medo de revelar o meu coração. eu dizia, e era julgada por isso. eu não tinha medo de sentir e realizar o que sentia e perdi amigos por me apaixonar pela pessoa certa na hora errada.

prefiro estas perdas às perdas irreparáveis da morte. ou as perdas mesquinhas, econômicas, frias, sem sangue, sem vida, sem paixão. eu quero os meus neurônios de volta. não quero mais me dopar com pílulas pra fingir que está tudo bem e virar um robô. não quero que esta química seja uma represa pra minha criatividade e pras minhas emoções. não quero mais mentir pros psicólogos e pra mim mesma. não quero esmagar a minha mente, o meu estômago e o meu coração todos juntos espremidos numa caixinha de fósforos.

não. quero. ser. uma. pessoa. racional.
estou fria, estou insensível, estou cruel, estou estéril.
prefiro sentir a dor de alma que eu sentia antes do que tomar os três anestésicos.
EU QUERO AS MINHAS EMOÇÕES DE VOLTA. eu grito isso com ódio, pra dentro de mim.
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Subject:mais uma vez o conto das angústias de um umbigo falante
Time:08:18 pm
Current Mood:[mood icon] tired
olhei no relógio do celular silencioso, e eram oito horas da noite do horário de verão silencioso de Brasília. e, apesar de ser verão, o vento e os meus dedos estavam frios. o céu estava frio também, naquele tom azul-lavanda. um tom que eu amo, e que quando se reflete em roupas brancas as pessoas que as vestem brilham feito a lua. um tom silencioso. e eu estava ali, ainda de pijama, sentada muda na escadinha que dá para o quintal. meu cachorro se sentou ao meu lado e pela primeira vez na vida ficou em silêncio, assim como tudo estava em silêncio.

silêncio, exceto os ruídos insuportáveis da casa às minhas costas. alguém em alguma janela, ou mesmo o meu cachorro, devia estar me assistindo chorando-olhando-ao-longe. eu pouco me importava. estava ocupada em perceber um estado que beira um desespero desconhecido e ao mesmo tempo muito mais velho que o mundo. um sentimendo dolorido mas, que mesmo assim, conserva uma esperança mínima e deserta, enraizada no ponto mais inacessível do universo para que nada nem ninguém a arranque.

ao menos o cachorro e os grilos e os mosquitos deviam saber que eu estava esperando emergir do fundo do vale alguém ou algo ou pensamento que brilhasse feito a lua e me tirasse daquele estado de espírito. esperei tanto e esperei até o meu chá esfriar. esperei e o céu já não faria mais nada na terra brilhar. esperei mais um pouco até não agüentar mais. nada nunca vem. a fuga nunca é perfeita. e enfrentar é desastroso e inútil.

estou cansada. de sempre me olharem com os olhos errados. cansada de me foder sempre pelos outros. cansada de acharem que eu tenho alguma riqueza, que eu sou personagem da novela das oito. de acharem que eu faço drama sem precisar, de acharem que eu sou mimada, desgarrada, desajuizada, rebelde. que eu não sou prática nem racional. que eu sou burra. ou ingênua. ou vítima. que eu sou egoísta ou egocêntrica ou seja lá qual merda for. cansada de eu, eu, eu, eu. cansada da minha microvida insignificante.

eu estou cansada de me olharem com os olhos do ridículo, ou da inveja, ou da reprovação.
ou de ser um brinquedo. ou uma diversão noturna. ou um joguete psicológico nas mãos de gente que se acha forte e sensata. eu estou cansada dos meus segredos, de não poder dizer o quanto eu odeio certas coisas e certas pessoas, de nunca me sentir no direito, de não poder chorar gritar sentir, sem que ninguém chegue correndo com uma censura afiada. estou cansada de não poder ir, de não poder voltar, de não poder receber e de não poder dar. estou cansada de esperar a força brotar de uma fonte de já secou, de procurar lá no fundo de mim (ou de alguém neste mundo) um coração que ainda bata. estou cansada de ser transparente e me quebrar(em) feito vidro. estou cansada da honestidade que vira um bumerangue. estou cansada de falar uma língua que só ecoa para o lado de dentro. estou cansada de fazer perguntas para uma vida sem respostas. afinal dizem por aí que a única certeza da vida é a morte. se a morte é a única resposta, a única certeza, eu preciso continuar fazendo perguntas sem respostas. e isso cansa.

mas não há forma de mudar, não tem como eu parar de ser assim. eu estaria me matando desse jeito. se eu não fosse verdadeira comigo mesma, se eu não seguisse mais a sensibilidade do que a razão, eu não sobreviveria no mundo dos falsos adultos. não aceito o cinismo, prefiro o ridículo e a solidão. não aceito o fato de me julgarem pelas minhas cores, elas são minhas. quem não as enxerga no tom certo, a culpa não é minha e sim de seus olhos. que procurem as suas próprias cores e me deixem na paz incolor.
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Time:06:13 pm
niilismo + dúvida = chave.

there is no future. no hay banda.
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Subject:Flaming Lips LiveInBrazil 2005
Time:12:05 am

... se eu tivesse uma razão plausível para me odiar, eu diria que seria pelo simples fato de eu ter perdido o show do Flaming Lips no Brasil. e me odiaria duplamente se me lembrasse por que motivos.
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Time:03:48 pm
sabe... eu só consigo escrever aqui quando me dá nó na garganta. por isso esse blog é tão chato e melancólico.

o que não quer dizer que eu também o seja.
sou, mas não sou só isso. isso aqui é apenas um dos dois pólos.
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Current Music:The Dandy Warhols - Godless
Subject:cause the music is boring me to death
Time:03:34 pm
Current Mood:[mood icon] frustrated
o que todo mundo deve estar fazendo agora? enquanto eu estou aqui, esperando alguma coisa acontecer. chove, venta e de uma certa forma as coisas estão em movimento.
menos eu, hoje.

é um incômodo saber que o mundo está andando e você é o único ser que está parado agora. e eu não quero, não consigo me movimentar. não me interesso por isso hoje, porque não tem sol pra eu ir à praia e eu não tenho dinheiro para sair.

mas ei... peraí! eu tenho pés, e tenho mãos e tenho ouvidos! posso andar, rabiscar e ouvir música. e eu tenho tempo, muito tempo livre hoje. posso escolher entre o tédio ou não. mas o dia hoje está me encaminhando para um tédio que eu não sentia há 10 anos.

é que eu acordei mal pela segunda noite consecutiva. tive sonhos péssimos estas duas noites. gente que eu gosto tendo filhos de gente que eu não gosto. triste. acordei sem esperanças de que um dia as pessoas que eu gosto tenham filhos de pessoas que eu gosto.

o que salvará o dia hoje? ir à praia com chuva e fones de ouvido. catpower no repeat. e à noite... sessão descarrego, dançando rock. quem sabe... quem sabe?
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Subject:aqui e ali. e de volta de novo.
Time:02:05 am

Love, Family and Social Life
Transit of Venus over 12th house indicates self denial in love and frustrations which basically mean your love life won't be very good in this month. Social life will also be below normal this month as most of the time you could be in a self denial mode. Transit of Saturn over 9th house is good for spiritual activities.


sei aonde me perder. e sei também aonde me encontrar. temo ser daquelas pessoas que tentam desesperadamente se encontrar em coisas externas. horóscopos relacionamentos malhações compras comida cartas. temo porque ando me perdendo nestas coisas onde geralmente as pessoas tentam se encontrar.

e eu sei que não vou me encontrar em autonegação ou em relacionamentos conturbados, ou em catar migalhas pelo mundo. ou em mais qualquer uma dessas fugas.

sei que posso me encontrar na areia da praia, ou na grama. nas músicas do Leonard Cohen. nas coisas que me fazem sentir, nas telas rabiscadas. nas lágrimas da Penelope Cruz quando canta. num ônibus de volta.

assim como em Volver, eu também preciso voltar. voltar primeiro para dentro de mim, depois para casa. tá na hora. tá na hora de enfrentar, de escolher, de jogar. de realizar ao invés de sonhar. sonhar é muito gostoso, mas engana.

uma hora a gente precisa acordar, uma hora a gente precisa voltar.
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Subject:roubado do blog querido do querido Marcello
Time:01:31 am
Current Mood:[mood icon] restless
Quatro ou cinco razões para escrever um blog


"Although logos is common to all, most people live
as if they had a wisdom of their own." - T.S. Eliot



Logo quando fazer um blog se tornou algo bem banal, resolvemos discutir essas coisas da vida num deles. O lance é saturar a internet até que estoure, porque tudo se perde entre as milhares de páginas que nunca vão ser lidas. Eu não quero compreensão, não quero condescendência, só quero investigar as coisas por aí...

A jogada é a seguinte, são mais ou menos 6 bilhões de pessoas no mundo. Só 1 bilhão delas se parecem um pouco com você. Menos de 500 milhões levam uma vida perturbadoramente parecida com a sua. Mesmo assim, talvez em algum lugar nesse exato momento alguém esteja passando pelo mesmo que você passa. Com tantas chances, o que mais acontece no mundo é repetição. É por isso que as pessoas ficam querendo te passar conselhos, a gente vive as mesmas merdas.


www.4ou5.zip.net
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Current Music:alguma do sonic youth com muitos dedilhadinhos e harmonicas
Subject:eu pedi pra me sentir em casa no rio de janeiro...
Time:02:36 am
Current Mood:[mood icon] nostalgic
... e os céus me trouxeram chuva, e talvez um pouquinho mais de alma. um pouquinho de alívio, um filme lindo, personagens lindos, humanidade. eu bem que tava precisando. bem que tava precisando de doses extra de quadrinhos, sonic youth e blogs. conversas no msn com pessoas que me entendem. coisinhas assim - bobinhas e pop - que eu quase tava me esquecendo. coisinhas que eu não consigo viver sem. essas coisinhas que me servem de espelho.

às vezes eu achava que todo mundo no mundo iria me entender. ou que eu sempre encontraria pessoas parecidas comigo. mas não. eu fui tropeçando no caminho, pegando carona, lost in translation. quebrando a cara aqui e ali até descobir que os amigos únicos são realmente únicos. e é aí que eu me dou conta de que os amo. amo a todos, um por um. com suas belezas e chatices, com suas faltas de tempo, com suas distâncias, com seus silêncios. amo a todos por serem exatamente o que são.

e o que me conforta é que talvez, lá longe, agora, alguém também esteja sentindo saudade, pensando em casa, lembrando assim de mim do mesmo jeito. nada mais efêmero, nada mais morno. não tem coisa melhor do que o morno. nem muito quente, nem muito frio. conforto.
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Current Music:Belle and Sebastian - Get Me Away From Here I'm Dying
Subject:oooh...
Time:02:17 pm
Ooh! get me away from here Im dying
Play me a song to set me free
Nobody writes them like they used to
So it may as well be me
Here on my own now after hours
Here on my own now on a bus
Think of it this way
You could either be successful or be us
With our winning smiles, and us
With our catchy tunes and words
Now were photogenic
You know, we dont stand a chance

Oh, Ill settle down with some old story
About a boy whos just like me
Thought there was love in everything and everyone
Youre so naive!
They always reach a sorry ending
They always get it in the end
Still it was worth it as I turned the pages solemnly, and then
With a winning smile, the poor boy
With naivety succeeds
At the final moment, I cried
I always cry at endings

Oh, that wasnt what I meant to say at all
From where Im sitting, rain
Falling against the lonely tenement
Has set my mind to wander
Into the windows of my lovers
They never know unless I write
This is no declaration, I just thought Id let you know goodbye
Said the hero in the story
It is mightier than swords
I could kill you sure
But I could only make you cry with these words
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Current Music:smashing pumpkins - beautiful
Time:03:45 am
Current Mood:[mood icon] contemplative
deixa eu sangrar um pouquinho, enquanto os meus dedos deslizam. deixa eu sentir meia hora de saudade. e lágrimas seguradas. mas não adianta segurar, elas acabam escapando entre dedos com cheiro de cigarro, na varanda olhando a cidade lá embaixo e sentindo o coração colado nas costas. sem saber se aqueles raios vermelhos de luz eram sonho ou realidade. com vontade de vestir aquelas luzes todas vibrantes como fios dourados, que me faziam querer cobrir o corpo inteiro. uma capa que me cobrisse pra sempre de vermelho e ouro. proteção. abraço. despedidas sem cara de despedida. e eu sem saber bem o que vai acontecer. e tentando fotografar esta noite na minha mente, porque quando eu sentar de novo naquela sacada, as luzes não serão as mesmas. e eu fico tentando segurá-las, mas elas acabam escapando junto com as lágrimas. que só os fios dourados e vermelhos entendem porque elas escorrem. só eles, os fios de luz, enxergam o que acontece lá dentro do coração que se abriu e jorrou sangue e carne.
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Current Music:Badly drawn Boy - A Minor Incident
Subject:It's a bit hard for you to love me when you're dead, isn't it?
Time:11:46 pm
Current Mood:[mood icon] tired
Cada vez mais eu amo o Um Grande Garoto. Ainda mais depois deste fim de semana, em que eu estive exatamente na pele do Marcus. Aliás, esse menino é foda. É fantástico. Virei fã.


A carta da mãe do Marcus:

"There's nothing i could say to make you try to feel ok
And nothing you could do to stop me feeling the way i do
And if the chance should happen that i never see you again
Just remember that i'll always love you

I'd be a better person on the other side i'm sure
You'd find a way to help yourself
And find another door
To shrug off minor incidents
And Make us both feel proud
I'd just wish i could be there to see you through

You always were the one to make us stand out in a crowd
Though every once upon a while your head was in a cloud
There's nothing you could never do to ever let me down
And remember that ill always love you"

(...)

Marcus: I got the letter. Thanks.
Fiona: Oh my God. I'd forgotten.
Marcus: You forgot? You forgot a suicide letter?
Fiona: Well I didn't think I'd have to remember it, did I? Did you read the part where I said I'd always love you?
Marcus: It's a bit hard for you to love me when you're dead, isn't it?
Fiona: I can understand why you're angry, Marcus. But I don't feel the same as I did yesterday, if it's any help.
Marcus: What? It's all gone away? All that?
Fiona: No, but, for the moment, I feel better.
Marcus: The moment's no good for me. I can see you feel better at the moment. You just put the kettle on. What happens when you finish your tea? What happens when I go back to school? I can't be here to watch you all the time!

(...)

Marcus e Will, quando ele resolve cuidar do Marcus.


OK, eu já passei pelo meu "dead duck day" e sinceramente espero não passar de novo por isso.
Agora eu só preciso de um Will.
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Time:07:30 pm
Current Mood:[mood icon] devious
eusimplesmentequeroquebrartudoezerarecomeçarumacoisacompletamentediferente.
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